O verdadeiro coelhinho da Páscoa

Sou Mãe Waldorf e obviamente faço parte da campanha Anti-Páscoa Comercial dos Ovos Industrializados. Aqui, nós pintamos ovos que todos os anos viram algum tipo de enfeite. Num palito de churrasco, por exemplo, podem decorar vasos.

Pendurados num fio de lã com contas e lacinhos viram um lindo enfeite que ganhou um lugar de destaque ao lado das galinhas, na entrada da minha cozinha.

Toda época de festa tem um sentido, um ritual e suas histórias. Crianças gostam de ouvir a mesma história várias vezes e esse ano adaptei um conto russo de um livrinho de histórias de Páscoa compiladas e editadas por Karin Elisabeth Stasch, comprado há algum tempo na Livraria Antroposófica.

O VERDADEIRO COELHO DA PÁSCOA

Papai Coelho da Páscoa e Mamãe Coelha da Páscoa já estavam ficando muito velhinhos e precisavam de ajuda para entregar os Ovos de Páscoa para todas as crianças da cidade. Eles tinham sete filhos e resolveram descobrir qual deles seria o verdadeiro Coelho da Páscoa. Mamãe Coelha pegou uma cesta com sete ovos e distribuiu para cada um dos sete coelhinhos.

O primeiro era o Coelho Amarelo que pegou seu ovo e saiu correndo pela floresta até chegar ao portão da escola onde as crianças estudavam.  Ele deu um salto tão alto e com tanta pressa que caiu de mau jeito e quebrou o ovo. Esse não era o Verdadeiro Coelho da Páscoa.

O segundo era o Coelho Cinza que pegou seu ovo e saiu correndo pela floresta mas no caminho encontrou uma raposa. Ela queria comer o ovo e pediu para o Coelho. Ele não quis dar mas a raposa como era muito esperta prometeu que lhe daria uma moeda de ouro se ele fosse até sua toca. Chegando lá a raposa escondeu o ovo e com cara feia mostrou os dentes ameaçando comer o coelhinho. Ele ficou tão assustado que saiu correndo o mais que podia. Esse também não era o Verdadeiro Coelho da Páscoa.

O terceiro era o Coelho Vermelho que pegou seu ovo e saiu correndo pela floresta. No caminho encontrou  outro coelho que o convidou para brincar. Ele pensou: “ainda tenho muito tempo. Vou brincar um pouco com ele”. Os dois brincaram e rolaram tanto pelo chão que amassaram o ovo. Esse também não era o Verdadeiro Coelho da Páscoa.

O quarto era o Coelho Verde que pegou seu ovo e saiu correndo pela floresta quando viu um gavião que pousado no galho gritou: “cuidado, a raposa vem vindo!” O coelho assustado procurou um lugar para esconder seu ovo. O gavião, muito esperto, disse: “dá-me o ovo e eu o esconderei no meu ninho”. O coelho deu-lhe o ovo, mas percebendo que não havia raposa alguma quis o ovo de volta. O gavião respondeu maldosamente: “venha buscá-lo no meu ninho se quiseres”. Esse também não era o Verdadeiro Coelho da Páscoa.

O quinto era o Coelho Preto que pegou seu ovo e saiu correndo pela floresta. Quando ia passando pelo caminho encontrou um riacho. Ao passar pela ponte viu sua imagem refletida na água e ficou tão encantado que descuidou do ovo que acabou caindo e se espatifando numa pedra. Esse também não era o Verdadeiro Coelho da Páscoa.

O sexto era o Coelho Marrom que pegou seu ovo e saiu correndo pela floresta. No caminho encontrou um esquilo que lhe pediu para dar uma lambida no ovo. “Mas esse ovo é para as crianças”, disse o coelho. O esquilo insistiu tanto que o coelho deixou que ele desse uma lambida e estava tão gostoso que o coelho também resolveu experimentar. Lambida vai, lambida vem, os dois acabaram comendo o ovo inteirinho. Esse também não era o Verdadeiro Coelho da Páscoa.

Chegou então a vez do Coelho Branco que pegou seu ovo e saiu pela floresta quando encontrou uma raposa. O coelho não entrou na conversa dela e continuou seu caminho. Mais adiante encontrou outro coelho que queria brincar com ele, mas ele não parou. Continuou caminhando até que encontrou o gavião que gritou: “cuidado, a raposa vem vindo!”

O coelho não se deixou enganar e continuou seu caminho. Já no riacho, atravessou a ponte sem olhar para sua imagem refletida na água. Encontrou-se mais adiante com o esquilo mas não permitiu que ele lambesse o ovo pois era para as crianças. Foi assim até o portão da escola. Deu um salto nem curto nem longo demais, chegando ao outro lado sem danificar o ovo. Procurou um esconderijo no jardim da escola e guardou cuidadosamente o ovo para as crianças encontrarem. Esse sim era o Verdadeiro Coelho da Páscoa!

FAZENDO COELHOS COM QUADRADINHOS DE TRICÔ

Com um rolo de barbante número 10 coloquei 20 pontos na agulha de tricô número 4.

Tricotei todas as carreiras em ponto meia.

Vá crescendo o trabalho até a altura estar do mesmo tamanho da largura das carreiras.

Arremate o trabalho, ficando com um quadradinho.

Com linha e agulha costure um terço de uma das pontas e faça o mesmo do outro lado, dando forma as orelhas.

Costure a lateral até o final deixando a parte de baixo aberta para enchimento.

Preencha com lã de carneiro, algodão ou manta acrílica.

Feche a parte de baixo franzindo a costura, fazendo um formato redondo.

Agora é a hora de dar a forma. Amarre uma fitinha no pescoço para marcar a diferença entre a cabeça e o corpo.

Borde os olhos e o nariz ou prenda pequenos botões no local.

Com linha de bordar, faça os bigodes e coloque um pompom atrás para fazer o rabo. Seu coelho está pronto!

Dá para tingir fazendo coelhos de todas as cores, ou você pode tricotar com barbantes coloridos e fazer todos os personagens da minha história.

A Páscoa é só no dia 8 de Abril, ainda dá tempo de enriquecer o imaginário das crianças. Eu vou fazer os sete coelhinhos e depois coloco aqui no nosso Blog pra vocês verem como ficou. É um projeto muito fácil, qualquer iniciante no tricô é capaz de fazer. Então, animem-se e mãos à obra!

Giovanna Moretto escreve às terças-feiras para a coluna Semaninha.

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