Festas de aniversário feitas à mão
são minhas melhores e mais favoritas

Houve um tempo em que organizar festas era um pesadelo para mim. Não que eu não goste de um bom convescote. Qualquer comemoração em si sempre foi motivo de sobra para reunir esforço para a empreitada. Mas minha autoconfiança era maior que minha capacidade de planejamento. E eu, tragicamente, só me dava conta disso, na maioria dos casos, em cima da hora de a festa começar. Ou, no meio dela, o que era ainda mais desolador. Comida de menos num ano, era compensada com comida demais no outro. Mas a bebida era de menos, então no ano seguinte, bebida demais; mas nenhum gelo. Ou pouco copo descartável. Tudo pronto para cantar parabéns e… nenhuma pá de bolo. Foram lições duramente aprendidas, ano após ano, e um ou outro trauma ainda me deixam severamente apreensiva durante as muitas semanas que antecedem as festinhas de minhas filhas. Especialmente no quesito decoração.

Mamãe sempre foi de festas perfeitas do jeito dela, todas trabalhadas no crepon e no celofane, com lembrancinhas que chegavam ao requinte de porcelanas pintadas à mão por nossa tia, personalizadas com o nome de cada um dos convidados. Riqueza de detalhes e apresentação, comida impecável, toda feita em casa. Alcançar seu padrão de excelência, logo percebi, era missão inglória. Mas foi surpresa para mim mesma me descobrir tão despreparada e pouco pragmática. Era sempre salva pela mãe, irmãs e primas, habilidosas e sabidas, que chegavam na festa mais cedo, apesar de eu dizer que “não, não preciso de nenhuma ajuda, pode deixar que está tudo sob controle, minha gente”. Minha família prendada sempre me socorrendo nos 45 do segundo tempo. Como quando minha prima Flávia chegou mais cedo para ajudar (porque é uma fofa e me conhece bem) e me disse: -Você vai forrar a mesa com o quê? E eu respondi: -… ? Ou quando minha irmã Giovanna me ligou na noite anterior e perguntou: - E a lembrancinha, vai ser o quê? E eu respondi: -…?! E ela saiu correndo com minha mãe para comprar e embalar 30 lembrancinhas às 10 horas da noite. Ou quando elas chegaram, Flávia e Giovanna, com a companhia de Tia Teté (aquela que pintava as lembrancinhas de porcelana UMA POR UMA, lembra?), e perguntaram, em choque: -Você vai deixar essas mesas de plástico alugadas, brancas, velhas e horrorosas assim, sem nada para cobrir?!?

E eu não respondi nada, porque estava tentando falar em casa para avisar que eu tinha esquecido a pá do bolo, o fósforo, e as lembrancinhas em cima da mesa. Todas as minhas amigas GPs já me socorreram em hora de agonia, a arrumar um lugar para colocar os porquinhos/cofres de barro gigantes que não cabiam em mesa nenhuma, ou a pendurar um teatrinho de fantoches quando os primeiros convidados já despontavam no salão.

Mas duas filhas, 8 anos e 11 festinhas depois, posso orgulhosamente dizer que não me assombro mais tanto, que ainda mantenho a alimentação das nossas festinhas o mais na contramão dos salgadinhos fritos e mini-quaisquer-coisa da carrocinha possível, e que tenho errado a mão bem menos do que antes. Ainda tenho pesadelo achando que a comida vai faltar, e ainda compro refrigerante de menos, na esperança que todo mundo tome apenas suco e água. Ainda faço muita coisa na última hora, mas ao menos aceito ajuda, e finalmente, criei um método de planejamento que deixa poucos furos.

Todos os itens que me deixaram em pânico em algum momento, estão hoje reunidos numa lista. E recorro a ela com frequência obsessiva, na medida em que a festa se aproxima. Hoje nenhum tema me assusta, e abraço a preparação das festinhas com força e coragem! Não falta toalha, não falta lembrancinha, não falta nem a velinha do bolo.

Uma festa de Charlie e Lola com bolo em forma de castelo e teatro de lobo mau? Sim, fazemos!

Uma das coisas mais difíceis é encontrar algo bonito e simples para colocar atrás da mesa do bolo, algo que esconda a aridez da parede, mas não seja aquela coisa flamboyant demais. Impossível de comprar; as ofertas do mercado são de lascar. Sempre contamos com os mais lindos painéis, pintados por Tia Teté, exatamente de acordo com o gosto e o pedido do pequeno cliente. E olha que são exigentes!

Mas esse ano dei folga para a tia e experimentei uma cortina de fitas coloridas. Um pulo no Pinterest ajuda a encontrar montes delas. Estão muito em uso ultimamente, e não é pra menos: são facílimas de fazer, excelentes para transportar, perfeitas para fotografar. Não satisfeita, fiz duas. Uma para a festa de Charlie e Lola com bolo etc etc, e outra para a festinha da escola. Até a festa da escola pode ser perfeita do seu jeito, e em pouco segundos.

Fazer a cortina é moleza: corte previamente a quantidade de tiras suficiente para cobrir a área desejada, pingue cola quente na ponta da fita e vá grudando cada pedaço num barbante longo.

Obrigada Thaisa, Camila e Glaci. Obrigada Giovanna, Giulianna, Simone, Carla, Lu, Tia Teté, Flávia e Fabíola. Vocês vão gostar de saber que dessa vez eu fiz tudo, tudo sozinha, e que não faltou nada. Ou melhor, a velinha e a pá de bolo, quem descer por último lembra de trazer, por favor…

A lembrancinha, borboletas como as da Lola, fiz assim: desenhei um molde inspirado nos desenhos de Lauren Child sobre duas camadas de tecido unidas com papel termocolante. Cortei as borboletas e colei cada uma em um grampo com cola quente. Sucesso garantido!

Mais uma aniversariante feliz, mais uma mãe realizada. Agora peço apenas um mês de descanso antes de começar a pensar na próxima, que é em Outubro mas já tem tema definido desde o começo do ano…

Afinal, como diz a Lola, “festas de aniversário são minhas melhores e mais favoritas!”.

 Graziella Moretto escreve às segundas-feiras para a coluna Semaninha.

6 ideias sobre “Festas de aniversário feitas à mão
são minhas melhores e mais favoritas

  1. Linda!! Amo a Lola!!
    Eu tbém tenho feito festinhas de aniversário totalmente feita á mão, e tenho amado!
    Há momentos em que penso: será a última vez!! rs
    E estamos lá na próxima organizando tudo… são duas menininhas àvidas por festinhas aqui!!
    Amei o post!
    Bjins

  2. Adorei!!! Me lembrei da primeira festa da minha filha mais velha. Sempre fui apaixonada por joaninhas e fiz um enorme jardim em cima da mesa cheinho delas, com direito a flores de pirulito, vasinhos porta docinhos e saquinho de doces em formato de joaninha. Apesar do trabalhão, nesses 11 anos foi o único que fiz e o mais perfeito. Acho que vou resgatar isso novamente. Bjs.

  3. Huuummm. Me animei a fazer a festinha de 8 anos da minha filha totalmente caseira. Vou pegar algumas idéias suas, como a cortina de fitas, e fazer umas pesquisas.
    Valeu.

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