O artesanato da caligrafia

 

Nem bem conheci a Stela e já estava na sala de sua casa à espera de um café feito na hora, servido com biscoitinhos.  Enquanto a água fervia, ela mostrou a cesta cheia de tecidos e contou que está fazendo um curso de costura. Perguntei então se a receita do biscoito era dela.  Disse que “não, imagina”.  E a costura?   “Estou aprendendo, a costureira da família é a minha mãe”.  É que o artesanato da Stela é a caligrafia.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

 

Por muitos e muitos anos, ela foi professora alfabetizadora da rede particular de ensino. A tão desejada aposentadoria veio no início do ano.  Desejada porque agora ela diz ter mais tempo para si mesma, para botar seus projetos em prática e, principalmente, se dedicar integralmente a essa paixão cultivada desde a adolescência.  ”A caligrafia me emociona”, diz ela, que também arrasta um bonde por outra arte manual, a cerâmica.

 

Projetando o seu futuro longe das salas de aula, há cerca de quatro anos, a nossa artesã das letras fez o curso de caligrafia do professor Antônio de Franco, em São Paulo.  ”Eu não sabia mexer direito nem com a pena nem com o nanquim”.  Na caminhada por aperfeiçoamento, se matriculou no curso da professora Andréa Branco, também na capital paulista.  ”Os cursos ajudaram a melhorar a minha letra. Aprendi a lidar com a pena e não via a hora de começar a trabalhar com caligrafia”.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

E Stela começou. “Minhas amigas anunciavam o casamento e eu já sabia que a caligrafia dos convites seria feita por mim”.  Comprou o material necessário (canetas de todos os tipos; canetas de pena – e vários bicos; tinteiro, nanquim, grafite, livros de apoio) e, claro, a “mesa de sombra”, uma engenhoca supimpa que à luz projeta a sombra das linhas no papel.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

A “mesa de sombra” é especial para o trabalho de calígrafos

 

 

Ela foi em frente e, agora, com um escritório montado em casa, a ex-professora escreve sua nova história profissional.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

 

Descobri que a atividade de um calígrafo não se limita a convites de casamento e festas de aniversário. Fica a dica, meu queridos, as oportunidades podem surgir de onde menos se espera!  Recentemente, Stela atendeu ao inesperado pedido de uma empresa: caixinhas de brindes com os nomes dos clientes escritos à mão. “Era caixa para todo lado. Mas foi uma experiência ótima”.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

 

E para se tornar calígrafo é importante ter letra bonita?   “Sim, é, mas há salvação até para quem tem um garrancho. Tudo se baseia em treino, muito treino. Basta querer”.

 

Foto: Stela Freddi/Divulgação

 

 

Dá para aprender sozinho?  ”Fazer um bom curso é importante. Há muito o que estudar: técnicas, fontes caligráficas, estilos… Até a sentar direito na cadeira faz diferença para escrever”.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

Stela Freddi, artesã das letras: paixão pela caligrafia surgiu na adolescência

 

 

Antes de ir embora, pedi uma aula rápida de caligrafia (não podia de jeito nenhum sair de lá sem arriscar).  Stela então botou no papel duas palavras com 14 letras numa rapidez desconcertante.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

 

Meio desajeitada, sem saber como posicionar a pena no papel, recorrer ao tinteiro no momento certo,  recebi instruções da minha professora e… imitei, né, no melhor estilo perfeito do meu jeito. “Não se preocupe, a gente sempre começa pela imitação”, incentivou.

 

Segurar uma pena (que não é uma pena de verdade, viu, gente, embora seja uma missão possível transformar pena de verdade em caneta) e deslizar no papel a tinta (um guache importado, especial para calígrafos) pode ser descrito assim: criança acostumada a escrever só com o lápis, enfim, pega numa caneta Bic pela primeira vez. Maior responsa!

 

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

 

Aprendi com a breve aula que a arte da caligrafia, assim como qualquer outro trabalho manual, requer dedicação e paciência para o melhor resultado.  Palavra de quem vos escreve, quem tinha uma letra bem feia quando criança e agora até assina embaixo com caneta tinteiro.

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

Garotas prendadas da caligrafia

 

 

Ps.: um beijo para a Carol Freddi, filha da Stela, quem primeiro me apresentou o trabalho da mãe. Me disseram – não conto quem foi – que a Carol é uma garota prendada dos cupcakes e afins. Vou pedir receita, viu, Carol?!

 

 

 

 

Saiba mais:

Stela Freddi: http://stelafreddi.com.br/

Escola de Caligrafia De Franco: http://www.profdefranco.com.br/ 

Andréa Branco: http://www.flickr.com/photos/andreabranco

 

Sugestão de leitura: 

A Arte da Caligrafia – Um Guia Prático, Histórico e Técnico
David Harris; Editora Ambientes & Costumes

 

Foto: Simone Sartori/GarotaPrendada

 

 

 

16 ideias sobre “O artesanato da caligrafia

  1. Lindo trabalho, excellente materia!

    Parabend e sucesso!!

  2. do meu casamento já sei quem vai fazer, né Stela!?
    Parabéns pelo trabalho, realmente, é muito difícil e sabemos da sua dedicação e paixão pelo trabalho. Sucesso!

    bjo

  3. Fiquei emocionada ao ver minha amada amiga tão feliz e colocando seu projeto na ativa.
    Trabalhei com Stela na mesma escola e ainda tenho em mente as imagens das suas mãos traçando letras e frases em pedaços de papéis.
    estou orgulhosa dessa minha amiga, que tenho muito respeito e carinho.
    Parabéns pela excelente matéria.
    Tocou meu coração.
    abraços
    simone andreazzi

  4. Oi Estela

    Adorei saber do seu novo Projeto . Parabéns !
    Desejo muito sucesso . Você e 10 Menina.
    Beijo
    Conceição

  5. Parabéns Stela !!
    você merece realizar todos os seus sonhos! Sempre alcançado com muita dedicação (cursos, aperfeiçoamentos,…) e vontade, que sempre foi sua marca !!
    À você Gatinha ,, sempre adorei seus brigadeiros e pães de mel !! quem sabe um dia venho a provar do seus cakes.. Bj.

    Muito Sucesso !!

  6. eu amo escrever!onde eu consigo a mesa de luz?? vc pode me informar???obrigado!

  7. Nossa!

    Minha história é bem diferente. Comecei a me interessar por canetas tinteiro a alguns anos e só me interessei pela caligrafia a pouco tempo.

    Estou lutando sozinho para tentar melhorar, mas ainda estou a anos luz da qualidade técnica dele. Quem sabe um dia.

    Parabéns as duas. Ela, pelo trabalho e vc, pelo post.

    Abraços

  8. Parabéns pelo post e por divulgar este tipo de trabalho.

    Minha história é diferente porque me interessei primeiro pelas canetas tinteiros, que venho colecionando a algum tempo, e o meu interesse pela caligrafia surgiu mais tarde.

    Hoje tenho lutado sozinho para tentar melhorar minha caligrafia, mas estou a anos luz da qualidade técnica de sua amiga.

    Quem sabe um dia…

    abraços!

  9. ParabénsSs pelo lindo trabalho! Fico encantando com os tipos de Caligrafias, as vezes até me arrisco em escrever em convites de casamento, mas ainda tenho muitoooo o que aprender. Por isso estou aqui, quero pedir ajuda para aperfeiçoar minha caligrafia, ser realmente uma profissional…
    Como faço para conseguir algum material para treinar em casa? Por favor me ajude.

    Abraços!

  10. Oi, Stela, gostaria de entrar em contato p/ saber em q bairro vc está e se vc pode subscrever os convites de casamento da minha filha.
    Obrigada.

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